Uma definição

"O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho." (Orson Welles)

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Para Sempre Mozart de Jean-Luc Godard

Para Sempre Mozart, de Jean-Luc Godard, apresenta várias histórias que se entrecruzam e permitem uma reflexão - acima de tudo filosófica - acerca da vida, da morte, da arte de representar, da literatura e do cinema. Alguns trechos ditos pelos personagens:
"A morte não existe. Só eu... eu... que vou morrer."
Sobre a filosofia, Camille diz: "O que permanece em vigília em nós até no sono se deve a sua difícil amizade."
E sobre a representação: "Conhecer a possibilidade de representar nos consola da sujeição à vida."
Roteiro, fotografia, argumento e locação impecáveis!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Benny´s Video

 
Benny´s Video: mais uma obra-prima de Michael Haneke. Esse faz jus ao título da Mostra A Imagem e o Incômodo. Durante o filme, a impressão que temos é que o protagonista não é Benny nem seus pais, mas a própria imagem que faz girar em torno de si todos os acontecimentos que culminam num final inesperado.
 

O Sétimo Continente

Vale a pena pegar um ônibus lotado no horário de pico pra ver a Mostra Haneke no Caixa Cultural? Vale! Ontem foi exibido O Sétimo Continente - primeiro filme para o cinema do diretor - e me chamou atenção as analogias que são possíveis entre o primeiro e o último: Amor. A pequena diferença está no modo de tratar o tema. Em O Sétimo Continente não há idealização, lirismo ou uma gota sequer de ternura, afeto. O que encontramos é a vida em sua crueza e sem ornamentos que pudessem mascarar o cotidiano de uma família decadente.
 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Os Amantes Passageiros


O novo filme dispensa as situações inverossímeis e trabalha com a imprevisibilidade, mas sem resvalar no inverossímil. Por meio da metáfora da pane aérea, Almodóvar satiriza a atual situação econômica da Espanha em tempos de recessão. Numa classe especial, pilotos mal-resolvidos, uma sadomasoquista, um matador de aluguel, uma vidente virgem, um traficante e sua namorada sonâmbula, um trapaceiro, um ator mentiroso e três comissários gays vivem situações tensas e engraçadas que fazem do filme um painel dos tipos sociais que perambulam pela Espanha que luta para sair da crise atual. Excelente!!!

Crime e Castigo


Crime e Castigo, obra-prima do escritor russo Dostoievsky, vira microssérie e chega às livrarias brasileiras (isso já faz um tempinho). A microssérie britânica foi produzida pela BBC e resume a obra do autor em 2 DVDs. Já li o livro numa péssima edição, mas agora terei a oportunidade de assistir a série da BBC que é famosa por produzir ótimos documentários e seriados.

TRISTANA


Mi semana hispánica terminó con la película Tristana de Luis Buñuel no Cineclube do Instituto Cervantes. Catherine Deneuve es muy hermosa y hace un excelente trabajo de interpretación. Recomendolo!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A indiscutível eternidade de Laranja Mecânica

Laranja Mecânica (A Clockwork Orange) assume um lugar de destaque dentro da obra de Stanley Kubrick. Lançado em 1971, o filme ainda arrebanha e hipnotiza plateias de diferentes idades. Desse modo, entra para aquele seleto grupo de obras de arte que extrapola seu próprio tempo e recebe o obscuro título de obra atemporal. Baseado no livro de Anthony Burguess - que recentemente recebeu uma nova edição - o filme narra a história de Alex (Malcolm McDowell) e sua gangue que aterroriza a população da cidade de Londres.
Alex é um jovem de classe média que se coloca à frente de um grupo de delinquentes a fim de praticar uma série de atrocidades que vão do roubo ao estupro. Preso, Alex é submetido a um tratamento psicológico chamado Ludovico (o tratamento tem bases no behaviorismo) que se encontra em fase de testes. Após várias sessões, a cobaia deixa a penitenciária com profunda ojeriza ao crime e à barbárie. O tratamento tem como objetivo condicionar o paciente a rejeitar todo comportamento considerado anormal, violento.
De volta à casa dos pais, Alex encontra outro jovem ocupando seu quarto e a rejeição da família. Em seguida, é torturado pelos amigos de gangue que agora são policiais e a vida social, condicionada pelas cenas de violência extrema vistas durante a aplicação do Ludovico, passa a ser um tormento perene.
O filme faz uma crítica elucidativa ao controle social exercido pelo Estado sobre os corpos e ao método Ludovico que, à época, começara a ser usado pela CIA. Quando da seu lançamento, Laranja Mecânica foi proibido em diversos países, inclusive o Brasil onde foi liberado pela Censura em 1978. A película ainda atrai milhares de cinéfilos e lota as salas de cinema onde é (re)exibido. Sem dúvida, um marco na filmografia de Stanley Kubrick. É isso.